“Aos meus amigos,
Em primeiro lugar, saibam que estou muito bem e que a decisão foi fruto de cuidadosa reflexão e poderação (sic).
Na vida, temos prioridades. E a minha sempre foi meu filho, acima de qualquer outra coisa, título ou cargo.
Diante das condições postas pela mãe e pela família dela e de todo o ocorrido, ele não era e nem seria feliz.
Dividido, longe do pai (por vontade da mãe), não se sentia bem na casa da mãe, onde era reprimido inclusive pelo irmão da mãe bêbado e agressivo, fica constrangido toda vez que falavam mal do pai, a mãe tentando afastar o filho do pai etc.
A mãe teve coragem até de não autorizar a viagem do filho para a Disney com o pai, privando o filho do presente de aniversário com o qual ele já sonhava, para conhecer de perto o fantástico lugar sobre o qual os colegas de escola falavam.
No futuro, todas as datas comemorativas seriam de tristeza para ele, por não poder comemorar junto com pai e mãe, em razão da intransigência materna.
Não coloquei meu filho no mundo para ficar longe dele e para que ele sofresse.
Se errei, é hora de corrigir o erro, abreviando-lhe o sofrimento.
Infelizmente, de todas as alternativas, foi a que me restou. É a menos pior.
E pode ser resumida na maior demonstração de amor de um pai pelo filho.
Agora teremos liberdade, paz e poderei cuidar bem do filho.
Fiquem com Deus!”
Essa carta foi deixada pelo advogado Renato Ventura Ribeiro (39 anos), que matou seu filho de 5 anos e depois se matou. Os corpos dos dois foram encontrados no dia 22 no apartamento do advogado, na zona sul da cidade de São Paulo.
Crime premeditado por um homem em desespero?
Gesto de amor pelo filho ou de egoísmo por querer te-lo ao seu lado?
Sentimento de perda levado as últimas conseqüências?
O que leva um homem ao perder a guarda de um filho para a ex-esposa, comprar uma arma, escrever uma carta, e tirar sua vida, após ter matado uma criança de 5 anos?
O fato em si já é chocante, a carta deixada por ele ainda mais e diante disso, dessa violência até certo ponto sem sentido, ficamos (eu fiquei) imaginando uma série de coisas, tentamos analisar e achar uma justificativa plausível para tanto egoísmo. Confesso que não encontrei ....